Major Curió usava crachá da Rede Globo

O major Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, um dos protagonistas da repressão da ditadura militar, usou identificação falsa, fornecida pela Rede Globo de Televisão, na sua sanha sanguinária contra opositores do regime militar. Leonencio Nossa, premiado jornalista de O Estado de S. Paulo e autor de livros como O rio e Homens invisíveis, teve acesso exclusivo ao lendário arquivo pessoal do major Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, um dos protagonistas da repressão da ditadura militar.

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Identidade falsa que a Rede Globo forneceu ao torturador Sebastião Curió - do livro Mata!, de Leonencio Nossa

SÃO PAULO – O major Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, um dos protagonistas da repressão da ditadura militar, usou identificação falsa, fornecida pela Rede Globo de Televisão, na sua sanha sanguinária contra opositores do regime militar.

Major Curió se passava como o repórter Marco Antônio Luchinni, da unidade de reportagem volante do Departamento de Telejornalismo da emissora. A identificação tinha validade até 31/12/1980, no auge da repressão da ditadura militar instalada no Brasil em 1964.

A Rede Globo de Televisão, que é uma concessão estatal, nos tempos da ditadura – assim como outros veículos de comunicação -, apoiaram e até colaboraram abertamente com os governos militares e suas ações repressoras, que tiraram a vida de muitas pessoas, entre elas o jornalista Wladimir Herzog, o deputado cassado Rubens Paiva, entre outros. A emissora dos Marinho de mãos dada com a ditadura!

O Bozó de Chico Anisio

Por ironia, o humorista da própria Rede Globo, Chico Anisio, imortalizou um personagem com a mesma verve do Major Curió, o hilário Bozó, que exibia crachá falso da emissora para facilitar suas ações. Sérgio Dias Magalhães Marinho é supostamente o nome de Bozó, que afirma para todo mundo ser um funcionário da Rede Globo.

Major Curió usava o crachá para torturar e até matar os opositores do regime.  Bozó também! Para nos matar de rir. Sutil diferença!

Verdades à parte, toda esta história está revelada em livro lançado recentemente.

Capa do livro que revela as ações do Major Curió

Resultado de dez anos de pesquisas em arquivos públicos e particulares, além de diversas viagens à região do Bico do Papagaio (confluência dos rios Araguaia e Tocantins) e de depoimentos de mais de 150 pessoas, o livro Mata! pode ser lido de diferentes maneiras.

Entre as numerosas facetas do livro – reportagem, relato histórico, pesquisa antropológica, reflexão política – a mais espetacular é, sem dúvida, seu conteúdo inédito de documentos sobre a Guerrilha do Araguaia (1966-74).
Leonencio Nossa, premiado jornalista de O Estado de S. Paulo e autor de livros como O rio e Homens invisíveis, teve acesso exclusivo ao lendário arquivo pessoal do major Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, um dos protagonistas da repressão da ditadura militar à guerrilha.

O autor revela pela primeira vez detalhes das torturas e assassinatos que vitimaram dezenas de pessoas na década de 1970 na região do Araguaia, entre militantes do PC do B e simpatizantes locais.
Por outro lado, o livro também se deixa ler como um arrebatador panorama histórico do Bico do Papagaio e do sudeste do Pará – que se transformam, a partir do relato de Nossa, numa espécie de microcosmo dos conflitos sociais e fundiários do país. Mata! percorre quase duzentos anos na história da região, incluindo tragédias recentes como a exploração de ouro em Serra Pelada e os massacres de sem-terra, para compor um verdadeiro épico da desordenada ocupação do território amazônico a partir do século XX.

 

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