Açaí teve maior valor de produção na extração vegetal em 2016, diz pesquisa

O açaí foi o produto da extração vegetal não madeireira que alcançou maior valor de produção no ano passado no Brasil: R$ 539,8 milhões. Maior produtor nacional, o Pará responde por 61,2% do total do ano passado, com crescimento de 4,6%. A produção de açaí extrativo caiu 0,2% em comparação com a de 2015, e somou 215.609 toneladas. O valor de produção, porém, subiu 12,4%. O líder do ranking de municípios, Limoeiro do Ajuru, no Pará, produziu 35 mil toneladas no ano passado. No Amazonas, segundo maior produtor nacional de açaí, a produção caiu 12,3%, por causa da seca, que tornou mais difícil o transporte do fruto em alguns rios.

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Produção do açaí caiu, mas valor de produção foi o maior no extrativismo vegetal

BRASÍLIA – O açaí foi o produto da extração vegetal não madeireira que alcançou maior valor de produção no ano passado no Brasil: R$ 539,8 milhões. Em seguida, vieram a erva-mate extrativa (R$ 398,8 milhões), o pó cerífero de carnaúba (R$ 187,5 milhões) e a castanha-do-pará (R$ 110,1 milhões).

Segundo a pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, estes ão os quatro itens mais relevantes em termos de produção. A pesquisa foi divulgada hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A produção de açaí extrativo caiu 0,2% em comparação com a de 2015, e somou 215.609 toneladas. O valor de produção, porém, subiu 12,4%. Maior produtor nacional, o Pará respondeu por 61,2% do total do ano passado, com crescimento de 4,6%. O supervisor da pesquisa, Winicius de Lima Wagner, disse que a demanda e a alta de preços do açaí tornaram a atividade mais atrativa para os extrativistas, contribuindo para aumentar a geração de renda local.

“Em geral, os produtos não madeireiros do extrativismo são explorados por extrativistas e pequenas associações e cooperativas e têm relevância para as comunidades, principalmente nas regiões Norte e Nordeste”, afirmou Wagner. O líder do ranking de municípios, Limoeiro do Ajuru, no Pará, produziu 35 mil toneladas no ano passado.

No Amazonas, segundo maior produtor nacional de açaí, a produção caiu 12,3%, por causa da seca, que tornou mais difícil o transporte do fruto em alguns rios. No Nordeste, o Maranhão aparece com 8,1% de participação na produção brasileira.

ERVA-MATE O Paraná respondeu por 86,4% da produção de erva-mate extrativa no país, concentrando 18 dos 20 principais municípios produtores. Líder em 2015, São Mateus do Sul, com 65 mil toneladas, permanece à frente. O Paraná produziu 299.735 toneladas em 2015. Em segundo, ficou Santa Catarina, com 28.853 toneladas, ou 8,3% do total nacional. O Rio Grande do Sul ficou em terceiro lugar, com 18.180 toneladas, mas foi o único estado onde a produção caiu (-2,6%).

Com 346.953 toneladas, a produção nacional de erva-mate extrativa aumentou 1,7%. O valor de produção manteve-se praticamente estável, com ligeira queda de 0,1%.

PÓ CERÍFERO DE CARNAÚBA A produção do pó cerífero de carnaúba, terceiro item mais importante da extração vegetal não madeireira, caiu 10,1% no ano passado e chegou a 17.957 toneladas. O valor de produção caiu 4,1%, passando para R$ 187,5 milhões. De acordo com Wagner, são quatro os estados produtores, mas dois – Piauí e Ceará – são responsáveis por 95% do total.

No Piauí, a produção caiu 19,75%. Conforme relatos apresentados aos pesquisadores do IBGE, a queda pode ser atribuída à má formação da palha da carnaúba, devido à seca prolongada em algumas regiões do estado, e à dificuldade de encontrar mão de obra para trabalhar na atividade.

Entre os municípios, Granja, no Ceará, manteve-se na liderança como maior produtor, com 1.875 toneladas.

CASTANHA-DO-PARÁ Com total de 34.664 toneladas, a produção de castanha-do-pará, ou castanha-do-brasil, caiu 14,7%, mas, “compensado pelo preço de mercado”, o valor de produção subiu 2,7%, ressaltou Wagner.

O Amazonas é atualmente o maior produtor, com 14.945 toneladas no ano passado. A produção do Acre, que liderou o ranking em 2015, caiu 37,7% em 2015, por causa da escassez de chuvas.

Entre os municípios, a liderança coube a Humaitá, no Amazonas, com 3.360 toneladas.

RESINA A pesquisa mostra que itens não madeireiros da silvicultura têm pouca relevância no setor porque os produtos madeireiros de áreas plantadas respondem por 97,7% do valor de produção.

Segundo Wagner, a quase totalidade do valor dos produtos não madeireiros da silvicultura advém da produção de resina, que cresceu 10,8% no ano passado, somando 106.227 toneladas. Em valor de produção, o aumento foi de 1,3%, o que gerou R$ 282,1 milhões.

São Paulo produziu 59,4% do total, com aumento de 2,31% ante 2015. O Rio Grande do Sul foi o segundo, com expansão de 45,3% no ano. O município com maior produção foi o gaúcho Santa Vitória do Palmar, com 14.242 toneladas.

MADEIRA Apesar da queda em quase todos os setores de produção de madeira, em 2016, o valor de produção cresceu 0,4% e ficou em R$ 16,6 bilhões. Desse total, o valor de produção da silvicultura respondeu por R$ 13,7 bilhões, com expansão de 3% ante o ano anterior. O único segmento cuja produção aumentou em 2016 foi o de madeira em tora da silvicultura, destacou o supervisor da pesquisa.

“Todos os produtos madeireiros do extrativismo vegetal tiveram queda em 2016”, disse o coordenador da pesquisa. Com -31,7% e valor de produção de R$ 393,9 milhões, o carvão vegetal do extrativismo foi o item que mais caiu, acompanhando o fraco desempenho da siderurgia, principal consumidor do produto. Também aparecem a lenha (-7,4%), com valor de produção de R$ 626,4 milhões; e a madeira em tora (-7%)  e valor de produção de R$ 1,8 bilhão.

O carvão vegetal de extrativismo corresponde a 13,8% do carvão produzido no Brasil. O restante (86,2%) vem da silvicultura, isto é, das florestas plantadas. De acordo com Wagner, 21,8% da produção brasileira de lenha vêm do extrativismo e 78,2%, da silvicultura.

SILVICULTURA Na produção madeireira da silvicultura, Wagner destacou a queda de 8% do carvão vegetal, com valor de produção estimado de R$ 2,5 bilhões, 1% inferior ao de 2015. Na lenha da silvicultura, houve recuo de 2,3% na produção e de 3,2% no valor de produção, que totalizou R$ 2,2 bilhões.

No segmento de madeira em tora para papel e celulose da silvicultura, a produção subiu 10,8%, passando para 85,1 milhões de metros cúbicos (m3), e o valor de produção aumentou 7,7% (R$ 5,2 bilhões). O Paraná é o maior produtor de madeira em tora para papel e celulose, com alta de 43,9% na produção, devido ao aumento do parque industrial no estado. Entre os municípios, destaca-se Telêmaco Borba (PR), com 3,5 milhões de m3.

De acordo com Wagner, 80,2% da madeira destinada à indústria de papel e celulose têm origem em áreas de plantio de eucalipto, usado como matéria-prima para a fabricação de celulose de fibra curta, e 18,8% vêm de florestas de pinus, espécie usada para celulose de fibra longa e papel de qualidade superior.

A produção nacional de madeira em tora para outras finalidades, como construção naval e civil, e indústria de móveis, aumentou 3,1% no ano passado (48,5 milhões de m3), com valor de produção de R$ 3,8 bilhões (aumento de 2,2%).

A Região Sul concentrou 62,6% da produção nacional, com queda de 2,9% ante 2015. No Paraná, a produção cresceu 3,2%. Entre os municípios, o líder foi General Carneiro (PR), com 1,2 milhão de m3 e participação de 2,5% na produção nacional.

ÁREA PLANTADA A área total plantada da silvicultura aumentou 0,9%, somando 10,02 milhões de hectares, dos quais 75,3% corresponderam à área plantada com eucalipto e 20,7% com pinus.

Mesmo com queda de 1,2% em 2016, a Região Sul tem a maior área de silvicultura do país, equivalente a 3,73 milhões de hectares. “Porém, a maior parte dessa área é com pinus”, disse o supervisor da pesquisa. A área do Sul brasileiro com pinus representou 49,1% do total nacional.

O Sudeste tem a maior área plantada de eucalipto, 3,13 milhões de hectares. Entre os estados, a maior área florestal, com 1,9 milhão de hectares, é de Minas Gerais e, entre os municípios, destacam-se Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, em Mato Grosso do Sul, com mais de 300 hectares plantados destinados à silvicultura. (Agência Brasil)

 

 

 

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