Passageiros transportados como gado

Além do baixo nível de atendimento aos passageiros nos terminais, as embarcações que realizam esse transporte apresentam recorrentes problemas de conforto, higiene e segurança. Além disso, os barcos possuem idade avançada e navegam com tecnologias ultrapassadas. O transporte fluvial misto (passageiros e cargas) na Amazônia movimenta 8,9 milhões de passageiros e cerca de 4,5 milhões de toneladas de carga por ano.

Imprimir

Como gado, sem qualquer conforto e privacidade, os passageiros são transportados pelos rios da Amazônia. Falta respeito e dignidade!

Manuel Dutra

SANTARÉM - O transporte fluvial misto (passageiros e cargas) na Amazônia movimenta 8,9 milhões de passageiros e cerca de 4,5 milhões de toneladas de carga por ano. Mesmo assim, os investimentos na região privilegiam a construção de estradas que ficam inacabadas, como as principais delas, a Transamazônica e Santarém-Cuiabá. E ainda houve investimento na Perimetral Norte, que nunca terminou.

Terminal rodoviário em Santarém às moscas

Em Santarém, por exemplo, existe uma estação rodoviária há 35 anos, mas até hoje o município não conta com um terminal fluvial, a despeito de sua economia ser movimentada basicamente pelos rios. Essa é a regra em toda a região, a começar das duas maiores cidades, Belém e Manaus. As condições de transporte de milhões de pessoas pelos rios amazônicos se equivale a transporte de gado, tamanho é o desconforto, a falta de higiene dentro das embarcações e a superlotação.

Os passageiros em geral ganham até três salários mínimos e grande parte da carga compõe-se de gêneros de primeira necessidade levados para as feias das cidades, especialmente as ribeirinhas. Por aí se percebe que os investimentos na Amazônia obedecem a velha lógica colonial, isto é, são feitos para gerar riqueza para fora, como as hidrelétricas, a mineração industrial e as rodovias.

Relatório da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que está sendo apresentado em Belém hoje, mostra o baixo padrão de atendimento aos passageiros das vias fluviais na Amazônia, defendendo a concessão de subsídios e subvenções do Estado para o modal de transporte, sem os quais “é impossível qualquer empresário suportar os investimentos em tecnologias mais modernas entre centros populacionais de baixa aglomeração e baixa renda”.

A falta de um terminal fluvial expõe os passageiros ao sofrimento

Segundo o documento, além do baixo nível de atendimento aos passageiros nos terminais, as embarcações que realizam esse transporte apresentam recorrentes problemas de conforto, higiene e segurança. Além disso, os barcos possuem idade avançada e navegam com tecnologias ultrapassadas.

O diretor-geral da ANTAQ, Pedro Brito, participa da solenidade de abertura do seminário, em Belém, que também reunirá representantes do governo estadual, Marinha do Brasil, Companhia Docas (CDP), universidades da região e do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial e Lacustre e das Agências de Navegação no Estado do Pará – SINDARPA.
O superintendente de Navegação Interior da ANTAQ, Adalberto Tokarski, apresentará o estudo Caracterização da Oferta e da Demanda do Transporte Fluvial de Passageiros na Amazônia, que foi elaborado pela Agência com a cooperação técnica da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa – FADESP.
O ESTUDO No estudo, são avaliadas 317 linhas de transporte fluvial de passageiros da Amazônia, das quais 249 estaduais, de competência dos órgãos reguladores estaduais, 59 linhas interestaduais, fiscalizadas pela ANTAQ, e nove travessias. A pesquisa avaliou ainda 602 embarcações e 106 terminais, nos quatro estados amazônicos (Amazonas, Amapá, Pará e Rondônia), dos quais 59 estão localizados em Belém.
Além de levantar a qualidade da prestação de serviço das empresas de transportes, das embarcações e dos diferentes terminais, o estudo identifica o perfil sócio-econômico dos passageiros que circulam pelos rios da região. O transporte fluvial misto (passageiros e cargas) na Amazônia movimenta 8,9 milhões de passageiros e cerca de 4,5 milhões de toneladas de carga por ano.
Imprimir

Deixe um comentário

Current month ye@r day *