Eleição presidencial não é uma futrica

Os assuntos, em geral, se limitaram a futricas, em relação às quais Dilma até se saiu bem, recusando as provocações. Mas não se discutiu, senão em rara menções, o papel de um presidente e de seu governo naquilo que o país mais precisa dele. Na construção de seu desenvolvimento econômico e sua afirmação nacional. O discurso é, quase que exclusivamente, o da moralidade que, com o episódio do Aeroporto de Cláudio, vê-se qual é. Ou será que o Goldman Sachs ou o BNP Paribas vão financiar metrô, corredores de ônibus, casas populares?

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Fernando Brito 

Impressionante o nível da tal “sabatina” da Folha – o nome é uma confissão pretensiosa de como o jornal se considera capaz de “ensinar” os governantes – com a Presidenta Dilma Rousseff.

Os assuntos, em geral, se limitaram a futricas, em relação às quais Dilma até se saiu bem, recusando as provocações.

Mas não se discutiu, senão em rara menções, o papel de um presidente e de seu governo naquilo que o país mais precisa dele.

Na construção de seu desenvolvimento econômico e sua afirmação nacional.

Getúlio Vargas ficou na história por uma taxa de inflação 0,2 ou 0,3% maior ou menor, ou por ter criado a siderurgia no Brasil, fundado a Petrobras, estatizado a exploração dos bilhões de toneladas de ferro brasileiros?

JK é lembrado pelas usinas elétricas, pelas estradas, pela mudança da capital, pelas nascentes indústrias naval e automobilísticas ou porque nomeou josé ou joão para um ministério?

Claro que tudo isso tem de estar presente numa entrevista política: a política é feita, também, destas situações.

Mas isso não pode nos privar do debate em torno do essencial: qual é o rumo deste país?

Quem vai cuidar de termos energia, estradas, portos, como o país vai se beneficiar da extraordinária riqueza de petróleo que se descobriu?

A oposição não tem uma ideia, um projeto, um caminho a apresentar.

O discurso é, quase que exclusivamente, o da moralidade que, com o episódio do Aeroporto de Cláudio, vê-se qual é.

O resto é apenas (e mais) desmonte do Estado.

A iniciativa privada vai responder àquelas questões?

O Itaú vai financiar estradas, o Santander arcará com os investimentos do pré-sal, o Bradesco vai empatar dinheiro em hidrelétricas?

Ou será que o Goldman Sachs ou o BNP Paribas vão financiar metrô, corredores de ônibus, casas populares?

Escaramuças à parte, não se pode perder o foco do que é uma eleição presidencial.

É a escolha de um destino para o país.

Não a de um “amigo do mercado”.

Já basta que os jornalistas tenham se tornado isso. (Tijolaço)

 

 

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