Valkirias & Amazonas: século XXI. Por Madson Luiz Moda

Podemos começar com as célebres figuras nórdicas das Valkirias, eternas guardiães (e quase como emissárias) do Valhalla, o tão almejado paraíso amplamente difundido pelos conquistadores Vikings, na esperança que estes – tanto quanto outros convertidos – viessem a merecer, nele, o descanso eterno. Tendo tratado do aspecto mitológico no quesito “Presença da Eternidade”, cabe-nos tomar um outro foco, dentro do século XXI, que a bendita sociedade brasileira configura quanto à forma como a mulher assume enquanto contemporânea postura: a preponderância de gênero (quase irretorquível).

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Madson Luiz Moda * >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

De início, é bom que se considere: dificilmente concebo um texto para artigo com um caráter necessariamente pragmático, enquanto categórica análise, sem qualquer referência de origem bibliográfica, que bem ilustra a excelência referencialmente determinística de fonte.

Enquanto volumoso argumento, este artigo frui de modo comparado a uma pérola, pérola esta de origem biológica, enquanto resultante de um acúmulo de toxinas. No presente caso, as toxinas seriam de origem sociocultural, que o sentido humano captou e a verve sociológica (ainda que informal) filtrou. Sabendo-se que, de tanto acumular detritos no seu interior a concha marinha, produzindo a pérola, esboça-se enquanto um fruto cuja subjetividade do leitor deverá corroborar a então realidade de algo realmente valioso.

Enfim! A questão de gênero adquiriu proeminente presença em nossos tempos; porém, ame-se o que se deve amar, e questione-se o que se deve, por conta. Sendo assim, a sensibilidade de uma visualização constante, com seu brutal impacto comum  e usual, urdiram a necessidade de substanciar tais questionamentos a partir de figuras femininas do imaginário mitológico ocidental (mediante suas peculiaridades), no sentido de criar a analogia mais original possível quanto aos paramentos dos quais mulheres (tão quanto as personagens lendárias) neste Brasil tem-se trajado. Senão, induzidas a trajar, dentro do devido escrúpulo espúrio de quem alveja tais paramentos com sangue.

Podemos começar com as célebres figuras nórdicas das Valkirias, eternas guardiães (e quase como emissárias) do Valhalla, o tão almejado paraíso amplamente difundido pelos conquistadores Vikings, na esperança que estes – tanto quanto outros convertidos – viessem a merecer, nele, o descanso eterno.

Seriam, portanto, enquanto categóricas juízas, para além do papel de condutoras, frente à esperança que usualmente se lançava sobre ser julgado enquanto um guerreiro bom ou enquanto um guerreiro mau. As supremas determinantes frente os destinos das almas eternas que bem rendiam-se ao que fosse sua existência. Existência essa que, transcendendo a condição humana, eternizava-se, de modo inexpugnável em relação ao contexto do munus religioso da nobre Escandinávia.

Nesse sentido de Eternidade, firmemente atrelado a Julgamento e Inquestionabilidade a respeito, o século XXI consegue emblematizar junto ao público feminino praticamente o mesmo laurel.

Ainda que de um modo muito peculiar, quase já beirando a marginalidade, o exemplo – senão testemunho – do qual se tire a respeito, assenta-se quanto aos reinos das figuras advindas da criminalidade a nível de erário com aceitação de propina, e coisa do tipo (Josés Dirceu da vida; Eduardos Cunha da vida; Sérgios Cabral da vida, com a esposa) para tantas e quantas aproveitadoras “de luxo” que, pode-se acreditar com ampla certeza, tendo-se oferecido e vendido para quantas outras figuras do cenário nacional (além das citadas), mesmo sabendo de suas prisões, vão gozar de categórica e intocável liberdade – sendo o que são – oferecendo-se e vendendo-se para outras também figuras até internacionais. Agindo por conta, sem qualquer remorso; sem qualquer rastreio incriminante; sem qualquer empecilho. Eternamente.

Claro que este “eternamente” apresenta-se frente à triste classe das mulheres vendidas,  individualizadas, no que se percebe, na contemporaneidade, considerando o típico valor sociocultural granjeado em programas televisivos, festejando seu então romance com tal bandido (inclusive de qualquer tipo de tráfico), suas somas de dinheiro para seus queridos mimos, como que comparadas a cidadãs de um outro teor (categoricamente mais humano), insinuando o mesmo valor a respeito, em um espaço cultural crápula de audiência; sendo que estas segundas, percebe-se que, ao menos na condição de alfabetizadas, vêm pungindo sustento com positivo sacrifício.

Antes, este emblema sacripanta, embora realista, não era reforçado tão sordidamente; ombreando figuras decentes, junto de tão lastimosas figuras, por conta do que é (e não “seria”)  “apenas um estilo de vida”, que catequiza tantas e quantas mentes, não menos desavisadas, de certas adolescentes, azeitando as labaredas da fornalha de tão questionável eternidade; no sentido de sombria e intocável.

Sabendo-se que frente tamanho comportamento, comparado em arrebóis míticos nórdicos, o seu estrado é o dinheiro, e esse “visualizar uma eternidade de Valkíria“, no sentido de, jogando pelo bem ou pelo mal, permanecem incólumes, lembro que Aristóteles Onassis uma vez dissera: “Se as mulheres não existissem todo o dinheiro do mundo perderia o sentido”. E poucos tem tanta chancela na história da Europa (e mesmo no mundo) para especular circunstâncias envolvendo dinheiro senão o grego Aristóteles Onassis (e, com certeza, sua família).

Tendo em vista tamanha sanha, que caminha subsequentemente ao poder – até de forma dantesca -, o papel de valkíria nórdica implica mesmo em permitir a permanência (ou não), a nível de empregabilidade, de tantos e tantos indivíduos (ou, mesmo, outras mulheres) conforme o império de  um preceito estético questionável parametriza, travestido de justiça e togado de tamanha frivolidade; aditado pelos ditos programas televisivos que festejam o “suado dinheirinho” que essa classe “adquire”.

E quando tal prepotência permissiva atinge, em oportunidade, grupos (não laborais) dos mais diferenciados matizes, abrangendo desde o esportivo, ou de lazer, até o de atividade focadamente religiosa, capitaneado pelos membros de ordem laical (não celibatários), percebe-se, enfim, a manutenção da eterna glória na Terra que o século XXI bem transplantou da  celsitude da cultura nórdica.

Tendo tratado do aspecto mitológico no quesito “Presença da Eternidade”, cabe-nos tomar um outro foco, dentro do século XXI, que a bendita sociedade brasileira configura quanto à forma como a mulher assume enquanto contemporânea postura: a preponderância de gênero  (quase irretorquível).

"É preciso, no entanto, ser um mediano analista para perceber a efígie, quase que espiritual, das Amazonas..."

E nisso entram as figuras mitológicas das Amazonas. Figuras de um cotexto anterior às grandes navegações (de meados de 1450 até o séc. XVII), próprias de uma cultura alternativa de vida, única e exclusivamente focada e circunstanciada nas mulheres; as mesmas tinham grande tônus bélico, ótimo uso do arco (a tal ponto, mesmo, de mastectomizar o lado do seio em que melhor usavam o artefato) e grande desprezo pela presença, atitude e raciocínio masculinos.

No que Gaspar de Carvajal, dominicano espanhol, enquanto capelão e cronista, de pleno registro histórico dos fatos (ainda que lhe faltando um dos olhos), na então louca desventura de Francisco de Orellana, que adentraria o Rio Amazonas até sua foz, acreditou visualizar as ditas arqueiras de origem asiática, circundando a beirada dos rios – em típica circunstância de ataque. Salvo engano -  também poderia crer – embora erroneamente – que seria literalmente escalpelado pelas então “guerreiras”, conforme sabia-se, ao longo dos séculos, a respeito da atroz fama que nelas pairava.

Posto que, no século XXI, não precisa ser um Gaspar de Carvajal em tristemente cumprir um desatinado equívoco, como na ocasião do desbravamento do “Mar Dulce” (quando passa a ser chamado, então de Rio Amazonas), dando um nome para algo que não era. É preciso, no entanto, ser um mediano analista para perceber a efígie, quase que espiritual, das Amazonas, em nossos dias, frente suas correspondentes contemporâneas de gênero, em bem, e quase que solidamente, extirpar a presença masculina enquanto realidade e pano-de-fundo de uma identidade tomada como pós-moderna.

A Bola-da-Vez, junto à classe feminina, no século XXI, demonstra que a presença masculina (necessariamente a presença) deve ser dispensada; A atitude masculina (necessariamente a atitude) deve ser detratada; e o raciocínio masculino (necessariamente o raciocínio) torturadamente carcomido, considerando ambientes dos mais basais, a nível tanto laboral (longe de corroborar a construção de um fortuna), quanto social (sem considerar a qualidade da coesão em vários grupos) quanto familiar (casuificando, mesmo, junto aos filhos, os gametas que os mesmos comungadamente possuem).

Como se não bastasse o estrado ideológico, embasadamente dramático, que as telenovelas representam, junto a esta citada Bola-da-Vez, a então Mídia de Mercado toma toda uma vantagem desta “Síndrome de Amazonas” do Tecido Social Brasileiro quando valoriza, unifocadamente, a figura feminina da mãe, em tantas e quantas circunstâncias de comércio, como no seu atributo frente a palavra “carinho”, bem como “cuidado”, além de “higiene” vincular-se aos filhos. A figura do pai é compungida. Compungida, mesmo, em comerciais que tomam como estrado a “completa família” formada com todo o “amor” em que não se tenha homem algum a atrapalhar.

Ao passo que esta mesma Mídia-de-Mercado, quando percebe o “ar da graça” de um homem na família, é conforme as palavras “renda”, limada em “finanças”, confirmando “consumo” (dinheiro, para ser mais categórico); quando os bancos, inclusive públicos, e financeiras ou seguradoras mercantilizam seus produtos para uma família que tem um pai no contexto. Pai, que, pelo jeito, não dá carinho; pai que não tem “cuidado” e além de “higiene” com os filhos, parece que também não tem coração para ser valorizado, ou, no mínimo, ser reconhecido. Mas necessariamente tem – e deve ter – dinheiro.

O “Pano para Manga” dado pela Mídia de Mercado (embora destoando do tema mitológico propositivo), não traz outra coisa a tais alfaiates, senão plena e pura vantagem.

Como assim: “vantagem”?! A presença de um homem, notadamente na condição de pai, preconiza a exata chance de um ou vários “nãos” em um ambiente familiar, frente quantos e tantos caprichos dos filhos. Caprichos esteiados em dinheiro. Dinheiro que poderia circular melhor na economia nacional mediante a promoção do consumo – necessariamente desenfreado – junto aos citados filhos, a partir de quem significa o “sim” para tais caprichos e – em termos de circulação de  valores – alegria ao Capitalismo: ou seja, a mãe (elemento feminino) provida de sua “independência”, “autonomia” e – deturpado – “empoderamento”, longe da figura masculina dispensável.

O que seria a criação de filhos, conforme pais não-naturais assumissem a adoção virtual sob os mesmos créditos que as mães, perceber-se “ir para a cucuia” diante da mais nova proposta (de morte) do Capitalismo: “nasceu o rebento? Já está em idade escolar? Pé-na-Bunda no ‘sujeitão da casa’. Mostre seu poder de decisão”. Proposta ideológica (de morte) instilada pelo chorume ideológico dramatúrgico da mídia tupiniquim: a telenovela.

Pode-se transcender aos anais da Cultura de Mídia Popular (inclusive de consumo) e tomar exemplos, até institucionalizados, na esfera judiciária. O pano-de-fundo no caso, é a violência (na sua dada singularidade de gênero), a qual avaliarei vir a servir enquanto triste chance de trampolim de promoção quanto à liberdade, quase que condicionada, de qualquer opção afetiva do Tecido Social Feminino (opção boa ou opção má) ter sua retaguarda assegurada para o que “der e vier”.

E nisso o Mito das Amazonas, sobremodo a nível de protecionismo, sobressai-se. Acompanhem: uma mulher vitima de violência (na sua circunstância mais inequívoca), pode ter, mediante decisão judicial, o, digamos, usufruto de , não só, proteção do Estado, mas também amparo em circunstâncias que irão de alimentação (cesta básica), renda (possibilidade garantida de emprego) ou mesmo moradia (programas sociais de moradia popular); mesmo que o usufruto não seja assim exatamente, tudo girou em torno de uma única palavra: opção.

Opção que significou para famílias, que sacrificadamente se imbuem de empreendedorismo, um maior ônus tributário na sua pessoa jurídica, frente esse dito amparo de ordem pública. Essas famílias, no caso,  são costumeiramente ditas como “tradicionais”; mas prefiro chamá-las de “completas”. Opção que significou necessariamente um aporte físico e humano para os trâmites processuais que atrapalham tantas outras demandas do tipo, com maior urgência, inclusive a nível de saúde, atrasando o andamento das resoluções judiciais. Enfim!

Opção que, assegurada por um movimento feminista (com timbre crápula de protecionista, e não de libertário), deixaria a bel prazer das figuras femininas tirar vantagem da pior opção (o mau homem) que atrevendo-se ou levando a termo a agressão, que pode muito bem ser construída de forma detratora em sua expressão psicológica, permitirá sustentar-se positivamente de modo socializado, junto a um categórico grupo feminino irredutível, que, entre si, e a partir de uma  educação familiar qualitativa, poderiam ter feito a melhor opção (o bom homem). Opção esta não existente em um contexto de telenovela, não valorizado em tantos e tantos meios culturais e questionado quanto sequer ter chance de merecer estar vivo. Mas que entra na cumbuca dos “culpados agressivos”, conforme a melhor vantagem da figura feminina, a respeito; conforme tiver a brecha com o aparato jurídico.

O ônus pecuniário de qualquer esfera (inclusive pública) agradeceria ser dispensado quando a opção fosse tomada sabiamente. E devidamente valorizada, enquanto consorte tão imperfeito como ela (mulher) é. Mas é aquela velha história protecionista, como em uma “Cercania de Amazonas”: a mulher tem o direito de bem escolher seu destino…Et Cetera, Et Cetera, Et Cetera e tal!!!

Quando penso que Friedrich Hegel, na sucinta condição de prócer da Sociologia Urbana, a partir de sua obra de referência: “O Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” consegue parametrizar o que a união de um homem e de uma mulher representam para demais instâncias nodais da realidade sociológica, esse verdadeiro “Fruto da Discórdia” já vem sendo beliscado no decorrer das últimas quatro décadas. Um fruto que vem retumbando enquanto tentação junto ao Tecido Social Feminino destas terras tupiniquins, mal comparadas às figuras mitológicas de Carvajal, tecidas com nova roupagem de empoderamento, autonomia e quase absolutização, tendo o consumismo enquanto essência do “rescaldo”. Cabe aqui evitar que tal fruto viva o cúmulo de ser prosaicamente devorado.

No sentido em que as figuras mitológicas enunciadas – Valkírias e Amazonas – são referência para tantos e quantos fundamentos analiticamente argumentativos para a vida, compete perceber como a discussão não é tão presente ou atual como o é para contextos inusitados e caros, tais quais a sétima arte.

No caso Tom Cruise, no filme “Operação Valquíria” (assim denominado em território nacional), acreditava, na condição de alto oficial das forças armadas nazistas, que a Alemanha era mais importante que Adolf Hitler; considerando o desgastante sacrifício de tantos patriotas germânicos em nome de algo que poderia não dar certo. Seu personagem, trocando em graúdos, acaba reunindo revoltosos descontentes, dentro do próprio Reich, no sentido de superarem a efígie do então ditador (diante do então papel de primeiro-ministro) esboçando serem sujeitos dotados da chancela de permitir quem deve e quem não deve continuar vivo em um conflito (mesmo entre patriotas); ou seja, necessariamente a personagem  de Cruise, ser uma Valquíria (Valkyrie, em nórdico arcaico, no  título  original do filme, sem menção à “operação”).

Ademais, Gal Gadot – o atual “pedaço de mulher” das telas hollywoodianas, deverá estrelar a saga da grande heroína das revistas da D.C. “Mulher Maravilha” que incorpora uma típica Amazona, enquanto meta-humana, no contexto do Primeiro Grande Conflito Mundial. Em se tratando de uma ficção, a referência mais presente, quanto à estirpe esse grupo mitológico feminino , tomado enquanto autóctone e de plena harmonia convivencional, pode ser, ainda que consumisticamente, apreciado e avaliado por todo o povo em nossos cinemas. Espero poder conceber um texto, depois de assisti-lo. Circunstância que com “Valkyrie” (do Cruise) não tive sorte.

Mas compete um pequeno asserto: embora não tâo aloirados como as Valquírias, somos todos mocorongos paraoaras amazônidas; e, tendo plena consciência de nenhum mito entre nós, este contexto corporativista deve cessar! Benditas cujas!

 

* Madson Luiz Moda, é sociólogo filomata santareno, membro co-fundador do SINSOP (Sindicato dos Sociólogos do Oeste do Pará).

 

 

 

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