Sigilo, laranjas e corrupção, por Janderson Lacerda

Já imaginou o sujeito declarando em seu imposto de renda o dinheiro recebido como propina para facilitar uma licitação? Ora, quebrar o sigilo bancário e fiscal não será suficiente para comprovar a inocência ou culpa de “quem quer que seja”, principalmente, tratando-se de autoridades. Afinal, os paraísos fiscais existem para quê? E quanto “aos laranjas”? A propósito, por que chamamos a pessoa que é usada como intermediária de negócios fraudulentos de laranja? Da mesma maneira, injeta-se dinheiro nas contas dos “laranjas” e burla-se, quando necessário, a quebra de sigilos fiscais e bancários a vontade…

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Qual político, por mais pedante que seja, irá declarar a receita federal o dinheiro roubado dos cofres públicos?

Nunca vi a “justiça” autorizar tantas vezes a quebra de sigilo bancário e fiscal de políticos profissionais, acusados de corrupção, como nos últimos anos. Como se a medida fosse suficiente para comprovar algo ilícito.

É certo que alguns políticos corruptos se pautam da morosidade e benevolência do poder judiciário brasileiro. Já outros…

Mas cá entre nós, caro leitor: qual “estadista”, independente de sua sigla partidária, irá depositar em sua própria conta dinheiro fruto de corrupção?

E qual político, por mais pedante que seja, irá declarar a receita federal o dinheiro roubado dos cofres públicos?

Já imaginou o sujeito declarando em seu imposto de renda o dinheiro recebido como propina para facilitar uma licitação?

Ora, quebrar o sigilo bancário e fiscal não será suficiente para comprovar a inocência ou culpa de “quem quer que seja”, principalmente, tratando-se de autoridades. Afinal, os paraísos fiscais existem para quê? E quanto “aos laranjas”? A propósito, por que chamamos a pessoa que é usada como intermediária de negócios fraudulentos de laranja?

Na verdade existem diversas hipóteses para explicar esta expressão, porém, dizem que em países que proibiam o consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas, os beberrões davam um jeitinho de burlar a fiscalização e injetavam bebidas em laranjas. Assim, conseguiam beber em público sem serem descobertos.

Da mesma maneira, injeta-se dinheiro nas contas dos “laranjas” e burla-se, quando necessário, a quebra de sigilos fiscais e bancários a vontade…

Em suma, quebrar o sigilo fiscal e bancário de políticos não me parece ser a melhor saída. Talvez seja mais eficaz fiscalizar as (os) laranjas e, sobretudo, os sucos provenientes da fruta. Afinal de contas, eram nas superfaturadas caixinhas de sucos de laranjas que a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (COAF) vendia para a Secretária da Educação do Estado de São Paulo que se escondia parte do esquema da “Máfia da Merenda”. Fica, então, o desafio à justiça: investigue se for capez!

 

 

 

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