Para além de religiosa – Madson Luiz Moda*

A dignidade acadêmica da qual Karl Heinrich Marx poderia ganhar espaço, no entanto teve, do nosso berlindado sociólogo, plenos amparo e apoio; em detrimento de tantos e tantos ditames do então bloco cultural do qual privava. Em se tratando de meio milênio em prol de uma realidade conflitiva e, ao mesmo tempo, bombástica em seus efeitos (tanto declarados, quanto não), seus rastilhos de fortíssima pólvora junto à realidade contemporânea, conseguem esbarrar, mesmo, na Docência de Harvard.

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Madson Luiz Moda

O que sejam 500 anos (entenda-se: meio milênio) de uma cultura religiosa que, a reboque de muito esforço, necessariamente pode viabilizar a uma nação tradicional, como a alemã, toda uma proeminência em um contexto contemporâneo, tanto de um modo típico quanto atípico, a ponto de amedrontar o grande Leão Britânico, influindo por conta, que, tal nação insular, ao resguardar-se e proteger-se, mediante um Brexit da vida, opte resultativamente no que seriam acordos comerciais (até bilaterais), enquanto sentido de maior vantagem para si.

Posto isso, é bom que consideremos balizadas figuras que são capazes de muito bem cumprir uma ligação atávica com o costume resultante de uma postura religiosa nascente e o típico reflexo disso frente uma relativa qualidade de vida que consegue esticar seus tentáculos quanto a tantas e tantas Bolsas de Valores pelo mundo.

Cometeríamos uma atrocidade frente o postulado, se prescindíssemos da figura basilar de Maximilian Carl Emil Weber (o nosso famoso Max Weber) que, possuindo formação e fluência em História, Direito, Economia e Filosofia, coube-lhe bem alvejar seus argumentos quanto aos labores da então Reforma Protestante do século XVI junto ao dinamismo econômico de boa parte da Europa Central.

Neste tocante da Europa Central, podia-se perceber a posição de Max Weber quanto ao Calvinismo, corrente de vanguarda dentro do Protestantismo religioso, em bem incorporar a primazia histórica no sentido de formação da vanguardista argúcia econômica. As consequências atinentes não foram poucas: seria acusado de antimaterialista, diante da atribuição a tamanho Espírito Religioso de tal laurel socioeconômico, que um típico professor universitário, simpático ao Marxismo, incomumente o faria.

Diante deste contexto, entenda-se: tal era a identidade de Max Weber diante dos ditames materialistas, considerando o sociólogo alemão compor uma típica elite intelectual, cujos esboços de negação a tais traços materialistas eram evidentes. A dignidade acadêmica da qual Karl Heinrich Marx poderia ganhar espaço, no entanto teve, do nosso berlindado sociólogo, plenos amparo e apoio; em detrimento de tantos e tantos ditames do então bloco cultural do qual privava.

Em termos de privar de ótimas presenças culturais, a figura de Max Weber contou, em três grandes décadas, junto ao seu lar, do convívio com a nata da intelectualidade alemã também representada por figuras do naipe de Georg Simmel e Georg Lukács; considerando a influência de, além dos citados, aqueles que influenciaram decisivamente sua obra seminal: “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”; cujo valor de análise e proeminente citação é fulcral neste artigo.

Martinho Lutero comandou a Reforma Protestante do século XVI

Pegando todos os elementos que apontam, em determinado momento, na teoria de Max Weber, a presença de figuras religiosas ante a proeminência da práxis capitalista, é bom que se entenda: em momentos até anteriores, havia práticas do sociólogo alemão criador da Sociologia Compreensiva, que dispunham de toda uma universalidade, enquanto melhor argumento a respeito.

Isso se exemplifica mediante sua experiência junto à Universidade de Viena (Áustria) no ministério do curso de “Critica Positiva da Concepção Materialista da História”, onde expunha idéias a respeito de vínculos reais entre a Sociologia das Religiões Mundiais e as Organizações Políticas e Econômicas. Frente o enunciado, um típico sentido universalista da fluência de raciocínio de Max Weber sustenta o título histórico de sua obra seminal enquanto primeiro trabalho interdisciplinar da História. Evidente enquanto argumento e surpreendente quanto ao estribo sociorreligioso.

Em se tratando de meio milênio em prol de uma realidade conflitiva e, ao mesmo tempo, bombástica em seus efeitos (tanto declarados, quanto não), seus rastilhos de fortíssima pólvora junto à realidade contemporânea, conseguem esbarrar, mesmo, na Docência de Harvard.

É o típico caso de David Landes. Ele é categórico, em suas ponderações, em achar que a Humanidade dividir-se-ia em duas classes: a dos que vivem para trabalhar e dos que apenas trabalham para sobreviver. O melhor tipo de definição entre os prósperos, categorizando para o lado das nações também, esboça-se pelo primeira classe citada da Humanidade. Para tal classe, suas bases de concepção e pleno exemplo, tem seu momento inicial contemporâneo à Reforma Protestante, quando percebe-se plenamente a verdade em que a cultura e os valores de um povo são tão ou mais importantes do que os fatores materiais que o levem à prosperidade.

David Landes, enquanto historiador, originário de Harvard, procurou mostrar o sentido em que a cultura afeta o potencial de prosperidade de uma Nação. Considerando o termo “cultura” ir para além de concepções artísticas, das mais variadas; no trabalho que concebeu, sustenta-se a partir da concepção proativa de cultura do já citado Max Weber dentro do que a postura categórica de um povo frente o trabalho possa fazer diferença em termos de inegável e invejável futuro.

Tal obra denomina-se “A Riqueza e a Pobreza das Nações”. No caso não confundam com a obra seminal “A Riqueza das Nações: uma Investigação Sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações” do escocês Adam Smith, enquanto gênese da Economia Política; no caso, quanto a uma importância categórica, afirma-se na obra que a então Ética Protestante manteve consigo processualmente um tripé exemplar junto aos confins do mundo: no que tange à curiosidade e à criatividade, incentivar seu melhor comportamento; também conta, enquanto elemento crucial, considerando a presente discussão, uma necessária atitude positiva em relação ao trabalho. Talvez a melhor lição advenha deste segundo elemento citado do tripé, diante de um protagonismo de centenas de anos de um curioso comportamento folgazão e indolente da então casta católica laical de então.

O terceiro elemento do tripé torna-se especial, mesmo para a realidade brasileira que muitas vezes orgulha-se de um conceito seu de “Democracia”, que é plenamente questionável. Tal terceiro elemento é a Liberdade Individual. Liberdade Individual enquanto esteio típico de todo o elemento socioeconômico que categorizaria o espírito jurídico alemão (e, mesmo, o eslavófilo); como largamente é conhecido contemporaneamente!

Conforme os pontos categóricos de uma Sociologia Weberiana Compreensiva, o núcleo que se extrai para tal contexto (que ele valorizava), dava-se por conta de originariamente a então Reforma calcar-se no Pluralismo.

Frente as considerações da obra de David Landes, mediante tal elemento de Liberdade Individual, algo usual entre os protestantes era a discussão de pontos, temas e elementos entre si, permitindo  a faculdade (quase natural) da discordância. Por conta disso, procurando relembrar o citado a respeito do Brasil por conta deste contexto, podemos ver o mais dinâmico dos países sul-americanos (conforme festeja-se) diante de um contexto histórico enraizado a partir da subserviência: reparem que o nosso país foi “descoberto”; é como se ele estivesse “coberto”, a tal ponto de quem seja, em termos de inteligência e em termos bélicos, muito mais aquilatados que nós, para assumir os destinos dos dominados, dentro de um comportamento passivo que “tupiniquins” ainda assumamos. Cabe considerar: cambamos para os cânones da Antropologia, sumamente o que Roberto Augusto DaMatta postula a respeito (com discurso aqui adaptado para tal).

Ainda sob os moldes de Roberto DaMatta (certamente, nosso maior antropólogo), cabe observar: dentro do nosso mesmo continente, entre os anglo-saxões, considerando a postura que eles têm frente sua própria história,  – no caso, os norte-americanos – posicionam-se diante do que seja “a formação do território americano”, no mais das vezes, especificando de modo especial , a questão de desbravar o “Velho Oeste” e outros momentos em que o processo de sua história passou por um prisma discussional, dialético mesmo; sendo grande parte de seus novos habitantes, vindos da Europa, adictos à cultura protestante. Tais ramificações, implicando parte também da nossa história, em um sentido comparativo, traz um especial laurel a estes tópicos relacionados a quinhentos anos festejados de Reforma.

Mas nem tudo são flores nesta bendita (ou Maldita) realidade de escancaramento de tantas verdades do claudicante e colidente século XXI. Nas divergências eventuais que se observam conforme o fenômeno inicialmente religioso da Reforma Protestante, aparece a figura de Jacques Attali, com uma série de ponderações eventuais, diante de uma obra que tem um pouco mais de 110 anos (pois “A Ética…” foi lançada em 1905), e que pode ser analisada frente o fenômeno de mais de meio século, que é a União Européia, conforme o confronto cultural advindo por conta, e do qual muitos são oriundos. Um deles é o citado Jacques Attali.

Atenhamo-nos, momentaneamente, ao debate weberiano concernente à necessidade de arrojo e risco em que o espírito do Capitalismo plenamente sustentar-se-ia. A postura de Attali, em sua obra “A História Econômica do Povo Judeu” é de que o Protestantismo, desde que estudado pelo clássico sociólogo alemão, viria a assentar-se em “pacata mesquinharia” em termos categóricos de limite frente o dinamismo requisitado.

Ainda a partir de Weber, a figura de Jaqcues Attali pondera, na então obra, haver uma derrocada histórica do Capitalismo se o mesmo dependesse de uma declarada “Ética de Poupança”, como nos moldes da cinquecentenária Reforma, em termos de consequência socioeconômica.

Neste contexto, é irretocável o fato da figura de Jacques Attali insistir no que sejam palavras como “dinamismo”, “vanguarda” e “risco” (dentre outras) frente não só à manutenção mas, à efervescência do Capitalismo, conforme tal  razão de ser provir originariamente da cultura judaica. Observe o Reino de Salomão (iniciado no século X a.C.), o qual, permitindo o lastreamento de tantos outros reinos, mediante elementos – vistos como dinâmicos para o Capitalismo – como a Letra de Câmbio, significar, na História da Humanidade, ser o primeiro Banco com Caixa Forte de toda a História, mediante seu típico sistema de taxação.

Ao que parece, Attali categoriza muito bem o posicionamento que tem; pois bem! em absoluto, pode-se crer, de sua parte, esgotar, de modo ombreado, toda a obra de Max Weber. Logo, o então mérito histórico da Reforma permanece intangibilizado; suas ramificações, no entanto, podem ser avaliadas por conta dos corolários. Eis os objetivos do presente texto, ainda que limitativos; haja vista a então data não merecer prescindir de discussão!

Mesmo assim, Na medida em que se há alguém que possa ponderar, ainda que de modo confrontativo, sobre elementos econômicos, presentes na história européia, sem dúvida é Jacques Attali. O economista francês foi um dos mentores na criação do BERD (Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento), e alargando sua visão de Economia para o sentido sustentável criou o Planer Finance (ONG de captação de microcréditos para países pobres); além de bem acompanhar François Miterrand (ex-chanceler e ex-presidente da França) conforme os conhecimentos que também tinha em Sociologia.

Tal elemento (Sociologia) deve ter pesado junto à opinião confrontativa a de Max Weber; parece algo meio insensato. Mas o bardo francês, conselheiro com menos de 27 anos de idade de um grande presidente, assemelhava-se ao estilista Ives Saint-Laurent no sentido de ser tão franco-argelino quanto ele. Porém tão judeu quanto as fontes que usou para o então livro que serve de contrapeso à típica análise weberiana de então. Que coincidência!!! Considerando neonazismo e tudo mais!!!

* Madson Luiz Moda, Sociólogo Filomata Santareno e membro co-fundador do SINSOP (Sindicato dos Sociólogos do Oeste do Pará)

 

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