O Front Econômico: Sexismo & Desmoralização

As citadas Rússia e Arábia Saudita vem, de um modo até cínico, liderando um acordo entre não membros da OPEP, no sentido categórico de cortar a então produção mundial do petróleo, no intuito – mais cínico ainda – de reforçar os preços. Enfim, o melhor entendimento da questão relacionada ao citado título, é de se perceber que este então protagonismo de Rússia (e sua plena autoridade com Putin) e da Arábia Saudita (e seu categórico pleiteamento sunita), em termos de mandar e desmandar em um mercado tão oneroso e pomposo, ocorre nos próprios quintais do maior cartel dissimulado do mundo, que dominaria o valor do petróleo; ou seja, nos quintais da OPEP…

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Madson Luiz Moda*

Madson Luiz Moda

Peço desculpas aos leitores (as), mas creio ser imperativo a mudança da ordem de apresentação dos argumentos, considerando a ordem dos fatos no título; para ser mais exato, creio ser imperativo, inclusive por questão de impacto, começarmos pelo elemento “desmoralização” no bojo da análise contextual econômica.

Posto isso, o que um bem e bom dotado aluno(a) de um relativo ensino médio podem ter pleno e irretratável conhecimento é de que a palavra OPEP tem tudo a ver com petróleo; tudo a ver com preço de petróleo  e tudo a ver com que forma deva ser tanto produzido quanto distribuído este bendito “ouro negro”.

O grande “x” da questão está frente aos acontecimentos de daqui a alguns dias: junto à belíssima capital austriaca de Viena, tanto a conhecida OPEP, quanto a – até – conhecidíssima Rússia e – tão conhecida quanto – Arábia Saudita, decidirão a respeito de ampliar o atual acordo de redução de oferta de petróleo, em uma laboriosa e decisiva reunião.

Entendam bem o infeliz termo: “ampliar”. As citadas Rússia e Arábia Saudita vem, de um modo até cínico, liderando um acordo entre não membros da OPEP, no sentido categórico de cortar a então produção mundial do petróleo, no intuito – mais cínico ainda – de reforçar os preços. Como  se já não bastasse aos brasileiros suportar, na atualidade,  bandeiras – de cor vermelha, claro – vinculadas a nossa conta de luz (cara por conta disso), quando pouco damos valor a outra nominosa bandeira, festejada como símbolo cívico nacional.

Enfim, o melhor entendimento da questão relacionada ao citado título, é de se perceber que este então protagonismo de Rússia (e sua plena autoridade com Putin) e da Arábia Saudita (e seu categórico pleiteamento sunita), em termos de mandar e desmandar em um mercado tão oneroso e pomposo, ocorre nos próprios quintais do maior cartel dissimulado do mundo, que dominaria o valor do petróleo; ou seja, nos quintais da OPEP, pelo fato de membros efetivos da organização participarem – junto com os ditos não-alinhados – da dita reunião já citada, logo nestes últimos dias de novembro. O típico pai que criou “filhos da pátria” traidores.

Outros bons players desta triste relação de traição e ódio poderiam ser aqueles suficientemente próximos do grande urso dos Montes Urais, no caso, as antigas possessões soviéticas chamadas Uzbequistão e Cazaquistão, com plena sintonia junto aos eventos de Viena quanto a reduzir estoques de petróleo. Coisa de peso!

Tomada como a mais democrática república na face da Terra, a tal ponto de permitir ações decisivas em grandes conflitos mundiais; bem como, frente ao ditame pós-moderno da plena e reconhecida diversidade, orgulhar-se ante o fato de ter criado o que hoje denomina-se Marcha da Diversidade (denomina-se pelo menos aqui no Brasil assim), os Estados Unidos da América dão ensejo a uma categórica crítica, como a presente, por conta de esboçar um sinal quase que evidente a respeito do segundo argumento exposto neste título do artigo: O Sexismo.

Estamos falando de Janet Yellen e a sutil vivência de caráter discriminatório, ante a dignidade que lhe competia enquanto presidente do FED (Federal Reserve. Banco Central Norte Americano), que o presidente Donald J. Trump não teve qualquer circunstancial cerimônia em deixar claro as preferências gerenciais, organizacionais e mandatárias no seu quase misógino governo.

Ao que se sabe, o típico costume norte-americano quanto a um mandatário do Federal Reserve pode se dar a satisfação é de ser guindado a um segundo mandato. Afora outras jabuticabas como: alguns dos doze braços do FED serem nomeados por conselhos privados que os supervisionam; ou seja, tanto a eleição dos mesmos e andamentos dos processos não competem ao presidente do Banco Central.

Estamos falando de uma nova iorquina do bairro do Brooklyn, de origem tão judaica quanto outros mandatários anteriores a ela (Paul Volcker, Alan Greenspan, Ben Bernanke). Com uma formação invejável, no que tange à Universidade de Yale, enquanto título de Doutorado, na década de 1970; o que viabilizou exponencialmente assunção em cadeiras junto à Berkeley, London School of Economic and Political Science, ou mesmo Harvand, integrando-lhes os efetivos desde a década de 1980, em que, na atualidade, grassa enquanto professora emérita. Ou seja, um sensível currículo que permitiria ao consagrado “Bufão da Casa Branca” deixar esta típica Mulher Inteligente e Capacitada manter o consagrado costume de um segundo mandato, ao qual consuetudinariamente pode ter o direito ; à luz de ser a primeira mulher mandatária do Banco Central mais importante do mundo.

Algo a se mencionar: Bernie Sanders  (último pré-candidato democrata à presidência norte-americana) combina com Yellen tanto no bairro natalício quanto nos postulados religiosos (mas o dele origina-se de uma ascensão polonesa).

Por que não visualizar uma atitude discriminatória do Executivo Norte Americano?! Quanta coragem para quebrar um costume, talvez centenário, considerando o presente século XXI preconizar uma equidade de papéis civis – na medida em que Yellen o cumpriu a contento – ainda que não cumprindo a contento, outros mandatários monetários e financeiros devem ter sido tão ruins quanto a nova iorquina, e, no mais das vezes, nunca tiveram seu segundo mandato empatado: foi sobrar para ela?! Justo ela!

Um argumento mais maduro (competindo à exclusão) pode girar em torno do seguinte: ao que se sabe, Jerome H. Powell foi um dos cinco candidatos considerados na substituição da Grande Dama Monetária Norte Americana. Também estavam na lista de Donald J. Trump:  Kevin Warsh (economista da Universidade de Stanford); John Taylor (Economista da Universidade de Stanford); Gary Cohn (Chefe dos Conselheiros Econômicos do Presidente da República), e, como se não bastasse, a própria Janet Yellen. Como percebe-se, havia a chance de não se prescindir do então costume, pois ele se deparou com a figura feminina na lista, portanto algo tão forte quanto um arbítrio chovinista teve sua concreta oportunidade.

O então Jerome H. Powell (citado acima) poderia incorporar, junto aos  pensamentos de J. Trump, algo bem mais alinhado a alguns conceitos. Frente os preceitos de Janet Yellen sobre Economia, os mesmos podem bem esboçar adequação ou não aos atuais momentos, protagonizados pela Casa Branca. Em decorrência disso, pode-se observar um argumento mais convincente e próprio da verve econômica quanto à demissão da Grande Dama: tratava-se, desde os tempos universitários, de uma economista reconhecida como especialista em macroeconomia em seus muitos matizes; sendo autora de várias obras a respeito. Sua afinidade e proximidade pessoal esboça-se com os chamados pós-keynesianos, cuja atual representação vai de Joseph Stiglitz (de quem foi dileta e afamada aluna) e Paul Krugman a James Tobin e Robert Solow. Entoando consigo o mesmo coro diletante em relação aos típicos e autodenominados “papas” da Economia Norte Americana diante do que criticavam impiedosamente: tais figuras citadas não se tratavam de um declarado esquadrão da esquerda; como pejorativamente concebia-se e censurava-se por conta.

A cobiçada pasta coube então a Jerome H. Powell, um cientista político advindo da Princeton University (onde Celso Monteiro Furtado, nosso grão economista, ministrou aulas); sendo que junto ao “Georgetown Law School” conseguiu ser editor-chefe, por ter Licenciatura em Direito pela Universidade de Georgetown, nascido na capital federal (Washington D.C.), na década de 1950. No caso o “Georgetown Law School” era um jornal com mais de 500 números publicados, sendo dirigido apenas por estudantes de Direito de Princeton.

A figura de Jerome H. Powell, embora, junto a instituições beneficentes e educacionais, tenha formado parte de seus respectivos conselhos institucionais, inclusive da “The Nature Conservancy”, sempre postulou enquanto seu principal foco a matéria fiscal tanto estadual quanto federal; bom! É o que se diz! Enquanto advogado e antigo membro do Carlyle Group, o presente mandatário do FED deixava tal foco a desejar, por almejar a presença sólida, maciça e qualitativa de tantas e quantas empresas que já possuiam uma posição consolidada, a nível de faturamento, na casa dos milhões de dólares nas melhores Bolsas de Valores; isso enquanto estratégia de proa do formato Private Equity de investimento, na excelência do arrojado contexto de risco do atual Capitalismo. Como Janet Yellen, frente um posicionamento neo-keynesiano seu, não comprometeria uma estratégia tão cheia de ardil quanto essa?!

Considerando o que Janet Yellen tomaria consigo , colocar-se-ia enquanto tocada e tangida pela Lei, conforme suas singularidades no então universo que compunha. Nada nem um pouco estranho concernente a uma ex-aluna de Joseph Stiglitz. Pois bem, acontece que o nosso amiguinho Jerome Powell aposta na superação e – praticamente – desobediência da Regra Volcker. Um ditame do Mercado Financeiro yankee que proíbe a atitude de apostas arriscadas junto a bancos que guarneçam o dinheiro do contribuinte.

Na então lista, no colo de Donald J. Trump, pareceu não grassar William Dudley, o último mandatário do Federal Reserve do Estado de Nova York (sim, senhor, não parece, mas tem isso para lá!), sendo recentemente aposentado deste serviço público. Haja vista   o que ocorrera entre os anos de 2007 e 2009, em que trilhões de dólares de ativos do Federal Reserve Norte Americano deveriam ser supervisionados mediante o forte risco de acúmulo. A então supervisão, enquanto plano estratégico de Dudley, foi o elementos que lhe fez valer um sensível status; status quase indelével. Mas não tão indelével, caso fosse, no sentido de sustar um costume clássico e não permitir o galardão histórico para uma mulher.

* Sociólogo filomata santareno, membro cofundador do SINSOP (Sindicato dos Sociólogos do Oeste do Pará).

 

 

 

 

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