O bom e o melhor. Por Madson Luiz Moda

O sinal vermelho foi dado diante do que parece aos produtores de açúcar preferir reservar sua produção para conseguir etanol, correspondendo o mesmo aos combustíveis alternativos, que, mesmo neste hall de alternativos, acende a cobiça de não deixar de ser necessariamente combustível. Em uma década não se observou, como no momento, o menor patamar do açúcar nos índices financeiros dos mercados internacionais; conforme seja relembrado a preferência dos recicladores a uma matéria-prima de pouco valor de mercado mas presente enquanto chance de renda embora baixíssima.

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Madson Luiz Moda

Se não me falhe a estragada memória dos pós-40 anos, William Shakespeare era alguém que refletia na típica atitude humana de sempre se trocar o que é bom em prol do que se acha melhor; necessariamente o vate da teatrologia e de boa parte do léxico da língua inglesa necessariamente colocava este comportamento no hall dos necessários de crucial mudança.

Em face do contexto econômico do momento, o comportamento de troca pode assumir um sentido comprometedor, quando se pode perceber o que estará em jogo – de modo microssistêmico – a supressão de nichos produtivos de mercado, bem como – de modo macrossistêmico – desequilíbrios ambientais categóricos frente à necessária ocupação de ambientes intocados ou mesmo equivocadamente utilizados para culturas diferentes. É inegável afirmar: trata-se de um argumento estrutural de pouca refringência no momento presente, mediante os grandes meios; porém, o sobressalto da discussão formaliza um sinal de alerta de longo tempo!!!

Lembro-me das priscas eras em que a palavra de ordem seria “reciclagem”, azeitada que era por um sentido de estilo e temperada por uma chancela feminina de sofisticação, conforme bons e graciosos arranjos, dos mais diferentes matizes utilitários, eram marcadamente produzidos por figuras autônomas, dentro do sentido consumista e comportamental de moda que o apelo ecológico inspirava, ou mesmo, décadas depois, por figuras jurídicas (se é que poderiam ter sido chamadas assim) que viam na coleta do material de papel o melhor modo de garantir relativa renda diante do desgrenhado desperdício; desperdício ainda hoje presente!!!

William Shakespeare

Esse então papel de uso reciclado (necessariamente o papelão) possuía um sentido de valor em prol de renda até precioso, ocupando tantos e quantos grupos organizados, ou mesmo figuras autônomas, que pressentiam um categórico El Dorado que traria vantagens neste pleito ecológico. A questão, conforme declarado, “pressentiam”. Circunstancialmente, aparecem outros elementos no cenário do descarte e necessária reciclagem; concentrando estes um altíssimo valor, encampando a casa do milhar, para cada tonelada coletada. São eles: latinhas de bebidas, inclusive não-alcoólicas, e o plástico das garrafas pet.

Em face desta realidade, há um novo El Dorado, que efetiva, o esquecimento do antigo. Necessariamente ninguém procurou com tanta avidez esta matéria-prima, tendo-se em vista haver qualquer tipo de sentimento socioambiental, que, mesmo havendo tal sentimento para coletar papel, forra menos o estômago e viabiliza menos as chances de consumo do que os então elementos adotados desde então.

Os quais preconizam altos valores dentro de nichos importantes de negociação em alternados lugares do território brasileiro; à sombra do que o programa “Viver Sustentável” conseguira noticiar, trazendo um parâmetro palpável de tamanhas tendências. O programa em questão era apresentado por Antonio Carlos Mendes Thame, graduado pela ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), vinculada á Universidade de São Paulo, e ex-deputado federal, em que pelo costume de assisti-lo, consegui compor tal opinião – categoricamente óbvia – conforme o canal 17 (Rede Vida de Televisão), por meio analógico, permitia. As cifras, creio piamente, em seus sentidos de comparativo valor, não foram superadas.

Assim, percebe-se o comportamento de troca, dentro do então exemplo de há pouco, conforme palavras sinônimas a “vantagem” e “desvantagem” guiaram o interesse dos antigos atores do chamado “mercado do papelão”. Típica tendência canhestra de dar ao comportamento ecológico de reciclagem o sentido de lucro que atrapalha visões mais profundas e de maior peso existencial, sendo que qualquer ameaça ambiental decorrente “pode esperar”!

E alimentarmente?! A nível de Brasil, a respeito, é fato que sim; ainda que de modo localizado, mas que se aproxima do azo contemporâneo. O Rio Grande do Sul bem justifica, em relação ao Fórum Social Mundial, conseguir concentrar, das figuras mais elementares para a coisa, o cultivo de alimentos (dentro do que seja em um prisma rural ou agrícola, enfim!); afora também, e concernindo ao cultivo já citado, em relação ao Movimento dos Trabalhadores sem Terra, ser berço (como foi do Fórum Social Mundial) de um conjunto de pleitos mesclados de excelência diante de sua realidade categórica na Agricultura. Cabe à realidade gaúcha, nestes dois prismas, bem falar, senão mesmo ponderar, conforme o trato da terra tiver quaisquer discernimentos.

Sendo assim, a realidade que paira nas terras agricultáveis gaúchas, hoje,  bem refletem o desapego à cultura do feijão, sendo que suas terras cultiváveis diminuem, longe de qualquer parcimônia, centímetro por centímetro, quando se percebe o maior proveito do que seja o típico cultivo valioso e amplamente sortido do milho e da soja. A escolha que se deu, tornando um produto como o feijão (leguminosa) menos concorrido, menos preferido para o cultivo, escasso e longe do que seja figurar a nutrição básica do nosso público infantil; imagine qualquer destrato com a realidade ambiental a respeito, quando a terra acostumada com tal cultura, recebendo outra, com algum impacto a respeito, possa refletir, até climaticamente, o que não deveria. Pois sim, Shakespeare talvez lamentasse, conforme suas palavras citadas, inclusive frente o que não deveria cometer um dia a sua amada Inglaterra.

Usina de etanol

Pois bem, agora é que “fritaremos os ovos na banha do momento”: Em se tratando do que tanto o Brasil quanto a Índia tem aprontado, na condição de dois dos maiores mercados de produção de açúcar no mundo, a escassez deste então carboidrato será mais segura em um ambiente não muito distante do que o nosso país, faturando a nível de combustíveis, não reporá na nutrição, inclusive das crianças. O sinal vermelho foi dado diante do que parece aos produtores de açúcar preferir reservar sua produção para conseguir etanol, correspondendo o mesmo aos combustíveis alternativos, que, mesmo neste hall de alternativos, acende a cobiça de não deixar de ser necessariamente combustível.

Enquanto temos no continente sul americano e centro-asiático esta realidade, que se processa ameaçadoramente, a própria Europa, ao lado da China, bem como Tailândia e o Paquistão, têm consigo o trato de um alerta vermelho categórico. Imaginem o que um “cinturão” destes poderia representar, conforme o então contexto de cobiça, enquanto efeito detrator de tantos focos de necessidade humana, tanto no trato alimentar, quanto no cerne ambiental com efeito climático. Talvez nem tanto, considerando o fato do então foco da produção de etanol diferenciar-se em prol do papel das usinas; em se tratando de um produto semi-acabado.

Tirando em graúdos, em uma década não se observou, como no momento, o menor patamar do açúcar nos índices financeiros dos mercados internacionais; conforme seja relembrado a preferência dos recicladores a uma matéria-prima de pouco valor de mercado mas presente enquanto chance de renda embora baixíssima; ou mesmo relembrada o descaso ao cultivo de feijão, sabendo-se de toda uma valorização renhida de outras culturas oleaginosas, no que se percebe no momento presente o açúcar ser alvo de “cair no desgosto” do mercado, embora açúcar seja algo consumível, etanol, enquanto combustível, basta que se acenda o rastilho, e ele nos consome.

Lembrei agora do personagem Ethan Hunt (Tom Cruise) de Missão Impossível, quando diante do melhor momento de ação, ele brada: “Risk the Match”, e a melhor das trilhas sonoras, feita por Allan Mullen e Adam Clayton (do U2), faz aquele “barulhinho”, logo no começo, de um palito de fósforo riscando (incorporaram?!)

 

 

 

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Um comentário para “O bom e o melhor. Por Madson Luiz Moda”

  1. madson luiz moda lima disse:

    Ilustres leitores e leitoras da Gazeta de Santarém,

    EM FACE da conhecida seção “O Front Econômico”, concebida por mim, desde praticamente há um ano (7 de novembro de 2017) , o então texto “O Bom e o Melhor” comporia a quarta edição da já citada seção; por um motivo ou outro, alheio a qualquer elemento evitável, houve um chiste que prescindiu do título da citada seção.
    [...]
    SENDO ASSIM, por meio deste comentário, em forma rudimentar de uma errata, faça-se registrar o fato de que o texto acima teria como título “O Front Econômico”, a partir do título atual “O Bom…” enquanto tema atual de análise da sessão”.
    [...]
    ATO DE pura responsabilidade do autor do artigo.

    O AUTOR, grato, dirige-lhes suas escusas.

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