Chico Coimbra, magnânimo, extraordinário – Por Jairo Linhares

A amizade desinteressada e a disponibilidade do cidadão Francisco Coimbra para ajudar foram os primeiros traços individuais que descobri naquela alma humana diferenciada. Sempre incentivando ou apoiando projetos sociais e estendendo a mão ao próximo, Chico foi um homem bom na plenitude absoluta da palavra. Um exemplo incomparável de simplicidade, desprendimento, altruísmo e generosidade. Um filho de Deus engajado na prática dos ensinamentos cristãos no sentido mais abrangente dessa doutrina. Sem a menor hesitação, ouso enquadrar o cidadão Chico Coimbra na mesma categoria dos grandes vultos humanos que conheci na vida.

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Jairo Linhares  >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Até mesmo os santarenos menos bairristas, ufanos ou enamorados da sua terra não deixam de admirar tantos patrícios de escol gerados neste berço tapajoara — a eles somados muitos filhos adotivos, inclusive estrangeiros. Artistas, literatos, docentes, empresários, religiosos e até políticos não nos faltaram, ao longo do tempo, para aureolar com o brilho engrandecedor de suas almas, além das belezas físicas, as tradições e a história desta Perola do Tapajós.

Sorte nossa a constatação nos anais da história religiosa, econômica, política, intelectual ou social de tantos insignes mocorongos merecedores do reconhecimento popular. Alinham aí, por certo, vultos díspares que nem Idelfonso Almeida, Antônio Belo de Carvalho, Dom Tiago Ryan, Wilson Fonseca, Emir Bemerguy, Haroldo Veloso, Everaldo Martins, Cléo Bernardo, Manuel Moraes, Osmar Simões e muitos, muitos outros.

Por registros bibliográficos, testemunhos e depoimentos de pessoas próximas e até por contatos pessoais esporádicos com alguns (poucos) deles, conheci o que pensavam, em que acreditavam ou como se portavam tais santarenos de destaque. Deixei, porém, separado neste parágrafo, o registro especial de um deles: Francisco Coimbra Lobato, um dos homens mais extraordinários de quantos conheci em minha vida.

Com referências prévias sempre elogiosas na boca do povo santareno, conheci pessoalmente Francisco Coimbra nas lides estudantis numa república de universitários em Belém, no ano de 1974. Que, alias, transformar-se-ia na Associação Assistencial ao Estudante Universitário do Médio Amazonas, fundada por ele, o inspirador, o mentor e o mantenedor da ASSEUMA. Naquele ano, ali naquela casa de estudantes, Chico foi entrando informalmente, conversando, sorrindo, dando-se a conhecer aos novatos e tratando a todos como velhos conhecidos. Foi admiração e simpatia à primeira vista. Um homem importante em Santarém, grande empresário, por certo com tantas ocupações e responsabilidades, encontrava tempo para visitar, conversar, incentivar e aconselhar pobres estudantes obscuros meio deslocados na cidade de Belém. E o mais surpreendente: chamando-nos de amigos.

A amizade desinteressada e a disponibilidade do cidadão Francisco Coimbra para ajudar foram os primeiros traços individuais que descobri naquela alma humana diferenciada. Muitas outras descobertas ficariam evidentes no convívio posterior com ele em nossa casa de estudante e fora dela. Afinal, dali para frente, Chico estaria sempre entre nós, em todos os demais endereços na Capital. Inclusive, às vezes, pernoitando conosco, compartilhando a comidinha frugal da república e até jogando conversa fora em bate-papos informais de muitas gargalhadas. Os mais atentos logo viam nessas atitudes a grandeza de um ser humano de humildade e companheirismo a toda prova. E sem elevar-se um milímetro sequer acima de pobres estudantes que éramos todos nós.

Chico foi um homem bom na plenitude absoluta da palavra.

Sempre incentivando ou apoiando projetos sociais e estendendo a mão ao próximo, Chico foi um homem bom na plenitude absoluta da palavra. Um exemplo incomparável de simplicidade, desprendimento, altruísmo e generosidade. Um filho de Deus engajado na prática dos ensinamentos cristãos no sentido mais abrangente dessa doutrina. Homem de frequentar a igreja em missas quase diárias, mas patenteando fora dos templos que ser cristão não se reduz a crer em Deus, rezar e receber a Eucaristia. Além da igreja, Chico nos surpreendia na prática que se espera de um cristão verdadeiro, como bem poucos eu conheci na vida. Fazia o bem sem olhar a quem. Sobretudo aos mais necessitados, e de muitas maneiras: assistência médica, social, espiritual ou material. Às vezes, com desembolsos pessoais surpreendentes, que incluíam alimentação, eletrodomésticos e até construção de moradia para desabrigados. E tudo quase anonimamente, sem alarde ou vanglória. O autor aqui é conhecedor ou testemunha de muitas dessas ações admiráveis. Talvez sem similar em toda a cidade de Santarém.

Orientada e mentoreada por ele, a ASSEUMA cresceu, criou seus estatutos tornou-se uma associação legal e continuou sempre ajudando novas levas de universitários do Baixo Amazonas. Com recursos gerados entre os próprios residentes e aqueles oriundos da generosidade filantrópica de Chico Coimbra.

Estimado em toda a cidade de Santarém, Chico eleger-se-ia facilmente à Prefeitura da cidade ou a qualquer outro cargo majoritário que pretendesse na região tapajônica. Malgrado os convites, jamais cedeu à tentação da política partidária. À parte a eleição para a diretoria do São Francisco Futebol Clube ou o amor adicional ao Clube do Remo, sua política era bem diversa, já sabemos. E sabem muito bem os que com ele conviveram em suas empresas, no seu círculo de amizades e até fora dele. Uma pessoa sempre disponível para revelar seu coração magnânimo na hora de estender a mão a quem quer que necessitasse. Conhecido ou desconhecido. Não poucos são os testemunhos de suas ações assistenciais e humanitárias na cidade de Santarém.

Sem a menor hesitação, ouso enquadrar o cidadão Chico Coimbra na mesma categoria dos grandes vultos humanos que conheci na vida ou no ensinamento das melhores leituras: Francisco de Assis, Dom Tiago Ryan, Cléo Bernardo, Mahatma Gandhi, Martin Luther King ou Nelson Mandela. Com seus exemplos humanitários, seu altruísmo e sua alma, ele influenciou decisivamente minha maneira de pensar, agir e ver os demais seres humanos. Inúmeros outros santarenos, da nossa república de estudantes ou da sociedade mocoronga não hesitariam, por certo, em tomar como sua esta afirmação.

Chico foi, de longe, o cidadão que mais me impressionou em Santarém. E ouso afirmar que inúmeros outros conterrâneos já declararam ou gostariam de declarar louvores que tais a esse sujeito fora-de-série. Foi ele, sem dúvida, o grande professor que eu e meus colegas tivemos na vida. Com ele só não aprendeu quem não quis.

E não constitui clichê ou exagero declarar, com toda a convicção, que esse homem vai, sim, fazer falta em nossa cidade.

 

 

 

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