Especialista conclui que riqueza da floresta amazônica é a menos conhecida do mundo

Mesmo com tanta riqueza de espécies, a grandiosidade da Amazônia segue cada vez mais ameaçada. No ano passado, foi registrado um aumento de 29% do desmatamento da floresta, o que marcou o segundo ano seguido de crescimento. Em 2016, cerca de 800 mil hectares foram perdidos com as atividades do homem na região — maior marca em oito anos, o que preocupou muitos ambientalistas.

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A floresta toma boa parte do território do estado do Amazonas, e também abrange o estado do Pará.

Com cerca de 5.500.000 km² e abrangendo nove países, a floresta amazônica, em termos de extensão, é a maior do mundo com muita folga. Junto com sua imensidão, ainda há muito o que conhecer dentro da densa vegetação que está, em maior parte, no solo brasileiro.

O programa Tarde Nacional entrevistou, na última semana, Pedro Viana, botânico e pesquisador do Instituto Emílio Goeldi. No bate-papo, Pedro, que recentemente fez um estudo bem específico sobre a flora da Serra de Carajás, falou sobre a Amazônia.

“[A floresta] É um fator muito motivador pra gente, principalmente para nós que trabalhamos com taxonomia e buscamos por plantas novas e tudo mais. A Amazônia é certamente a floresta menos conhecida do mundo”, cita Pedro.

Ele recorda que a floresta é estudada há muito tempo – desde o final do século XVIII – e que mesmo assim ainda existem muitas espécies que não foram catalogadas. Algumas, inclusive, entram em extinção antes sequer entrar no radar de espécies conhecidas.

O pesquisador, no entanto, citou que recentemente houve um aumento na coleta de algumas áreas para intensificar o trabalho de reconhecimento, mas nada que seja realmente relevante. “É insignificante perto da grandeza de floresta”, completa.

Pedro também analisa como a floresta é diversificada em muitos aspectos. “Diferente do que muita gente pensa, ela não é homogênea. Cada lugar é de um jeito. Ela é muito complexa. Imagina o tanto de coisa que existe não conhecida por lá?” questiona o botânico.

A floresta toma boa parte do território do estado do Amazonas, e também abrange o estado do Pará. No ano passado, um projeto da Vale ajudou a recuperar parte importante da floresta no estado paraense que precisou ser alterado para projetos da empresa.

Na capital do estado do Amazonas, o verde é encontrado a todo instante, e ainda há espécies não identificadas na área urbana. No entanto, essa partilha entre verde e concreto não é exclusividade da Amazônia e da Região Norte do país. Na América Central, o Panamá, país conhecido por seu turismo, tem ao redor da capital uma densa floresta que é uma das maiores do ocidente. No sul da Colômbia o mesmo acontece.

Mesmo com tanta riqueza de espécies, a grandiosidade da Amazônia segue cada vez mais ameaçada. No ano passado, foi registrado um aumento de 29% do desmatamento da floresta, o que marcou o segundo ano seguido de crescimento. Em 2016, cerca de 800 mil hectares foram perdidos com as atividades do homem na região — maior marca em oito anos, o que preocupou muitos ambientalistas.

Um dos principais motivos do desmatamento é a criação de espaço para pecuária. De acordo com o Greenpeace, o gado ocupa mais de 60% das áreas desmatadas e a expectativa é que esse número cresça nos próximos anos, resultando em cada vez menos verde na floresta.

Se mesmo com o crescimento do desmatamento, toda tecnologia disponível e mais de 200 anos de exploração da floresta a humanidade ainda está bem longe de catalogar e descobrir tudo que há na Amazônia, é sensato acreditar que vai demorar muito tempo para a maior floresta tropical do mundo ser complemente decifrada e estudada.

 

 

 

 

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