São Paulo e Santarém, a crise hídrica comum

Num afronta a população desta região quase toda penalizada pela falta de abastecimento de água potável, a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) vai distribuir 180 mil copos de 200 ml de água para beber durante as 12 procissões oficiais do Círio 2015, na capital paraense. Nada contra a festividade católica, mas pela atitude acintosa da empresa em querer parecer o que efetivamente não é. No interior, no entanto, a falta d’água é a única realidade visível e vivencial.

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A Cosanpa não consegue oferecer serviços de qualidade para a população e em vez disso acaba fornecendo lama no lugar de água. No interior a falta d'água é a única realidade visível e vivencial.

SANTARÉM – O que poderia parecer bizarro é mais comum do que se imagina. As populações de São Paulo e Santarém vivenciam atualmente gravíssima crise de abastecimento de água.

Pior, sem quaisquer perspectivas de encontrar solução a curto e médio prazos. A diferença fundamental nesta comparação se dá quando buscamos visualizar as fontes de abastecimento.

Na capital paulista seus moradores já estão consumindo água do volume morto de seus reservatórios, racionando a distribuição e sem visualizar solução imediata ao problema. Resta aos paulistas rezar por chuvas para melhorar o nível dos seus mananciais.

A Pérola do Tapajós, por sua vez, espraiada as margens de um dos mais volumosos rios da bacia amazônica, assiste sua população sem uma gota d’água nas torneiras.

Tudo por conta da incúria das três esferas de governo, que há décadas nada fazem para por fim a este inexplicável paradoxo de viver sem água, ainda que à beira de um imenso rio.

Na Câmara Municipal, vereadores secos ou cegos pela inoperância da Cosanpa, empresa que detém o monopólio do saneamento básico na cidade, se revezam na tribuna em apontar solução para essa que é uma das mais vergonhosas falta de ação para colocar fim ao drama da população.

Geovani Aguiar (PSC) diz que a Regional da Cosanpa em Santarém é colocada de escanteio pela diretoria da empresa sediada em Belém, sem qualquer autonomia na cidade.

“Precisamos sensibilizar politicamente o governador para que seja dado mais dinamismo a Regional de Santarém”, enfatiza.

Para Geovani é possível dar ao órgão, uma nova envergadura regional. “O que está faltando ao órgão em Santarém, é logística, gerenciamento”, ressalta lembrando que obras de ampliação do fornecimento d’água estão acontecendo em Alenquer e Itaituba, mas em Santarém, o projeto está parado.

Silvio Amorim (PRTB) radicaliza no tratamento que deve ser dado a empresa. Para ele é preciso retirar a Cosanpa do município. “Ninguém aguenta mais tanta precariedade na área de saneamento da cidade”, sentencia.

Segundo Amorim, por estar sucateada, a Cosanpa não consegue oferecer serviços de qualidade para a população e em vez disso acaba fornecendo lama no lugar de água. Mais grave, em muitos bairros não chega nada nas torneiras.

Ele não se furta a dizer que a única solução deste problema, é a retirada da Cosanpa de Santarém e a licitação de outra empresa com capacidade de investimentos. “Seria a forma mais eficaz de resolver um problema que se arrasta há anos em Santarém,  que é a falta d’água”, diz ele indignado.

Rogélio Cebuliski (PSB), antevê a instalação do caos na cidade brevemente, sem o fornecimento regular de água pela Cosanpa.

Para ele, as obras dos PAC II, que deveriam resolver o problema de abastecimento de água no município não estão acontecendo. “Estão paralisadas a mais de ano sem previsão das obras serem reiniciadas, por falta de repasse de verbas dos governos estadual e federal”, revela.

Cebuliski  justifica sua preocupação dando como exemplo o bairro da Nova Republica que só tem um poço de captação, “sabemos que este poço tem data de validade a qualquer momento pode entra em colapso e a população daquele bairro poderá ficar até dois meses sem abastecimento de água”, alerta.

Por seu lado o vereador Silvio Neto (PSD) cobra do governo do Estado um reestruturação da regional da Cosanpa em Santarém. “Há muitos anos a Cosanpa foi esquecida em Santarém, é preciso urgentemente dar manutenção nos poços de abastecimentos, fazer a troca da rede de distribuição. Só assim será possível que água de qualidade chegue até a casa do consumidor santareno”.

O vereador Luiz Alberto (PP) diz que é gritante a falta de água no município de Santarém. Basta ouvir os órgãos de imprensa todos os dias, são muitas as reclamações de famílias que não conseguem ter acesso a água.

Luiz Alberto disse ainda que estará em Belém, esta semana, e irá a presidência da Cosanpa repassar o que está acontecendo em Santarém. “Vou também pedir esclarecimentos sobre o aumento na estimativa de consumo, imposto pela empresa, exatamente nesta época que ela está com dificuldades de abastecer as torneiras dos consumidores da cidade.

“Esperamos que a Cosanpa possa rever esse aumento sem justificativa, por que nós queremos água nas torneiras com um preço justo”.

A Cosanpa vai distribuir 180 mil copos de 200 ml de água para beber durante as 12 procissões oficiais do Círio 2015.

Enquanto isso, num afronta a população desta região quase toda penalizada pela falta de abastecimento de água potável, a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) vai distribuir 180 mil copos de 200 ml de água para beber durante as 12 procissões oficiais do Círio 2015. Nada contra a festividade católica, mas pela atitude acintosa da empresa em querer parecer o que efetivamente não é.

O projeto, aliás,  também inclui a Corrida do Círio, com a oferta de 30 mil copos aos corredores. A segunda etapa do projeto prevê uma parceria com a Prefeitura de Belém, por ocasião dos 400 anos da capital paraense. A ideia é fazer a distribuição de água também durante os eventos comemorativos do aniversário da capital paraense. No interior, no entanto, a falta d’água é a única realidade visível e vivencial.

 

 

 

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