Marinho sugere instalar emissários no Tapajós

Em Santarém, segundo David Marinho, é preocupante a problemática do sistema de esgoto na frente da cidade. “As pessoas nem imaginam os riscos e as ameaças de contaminação pelos efluentes poluídos oriundos de águas servidas e fossas das residências interligadas irregularmente direto aos esgotos da rede de águas pluviais que hoje são despejados na praia no verão e diretamente no rio durante o inverno, sem nenhum tipo de tratamento, com sérias ameaças de proliferação de doenças”, enfatiza.

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David Marinho: "Estamos propondo medidas mitigadoras"

SANTARÉM – O gestor ambiental e projetista David Marinho, sugeriu em artigo publicado esta semana no Blog do Jeso, a construção de emissários no rio Tapajós, como solução ao gravíssimo problema do lançamento de esgotos sanitários na orla da cidade e em Alter do Chão.

Em Santarém, segundo Marinho, é preocupante a problemática do sistema de esgoto na frente da cidade. “As pessoas nem imaginam os riscos e as ameaças de contaminação pelos efluentes poluídos oriundos de águas servidas e fossas das residências interligadas irregularmente direto aos esgotos da rede de águas pluviais que hoje são despejados na praia no verão e diretamente no rio durante o inverno, sem nenhum tipo de tratamento, com sérias ameaças de proliferação de doenças”, enfatiza.

Diante desta situação, enfatiza o gestor ambiental, estamos propondo medidas mitigadoras para esses agravos com as técnicas e processos já utilizados em outros centros do país com eficiência, proporcionando resultados satisfatórios em relação aos impactos negativos sobre o meio ambiente.

Segundo ele, o emissário submarino é um sistema de tubulação utilizado para lançamento de esgotos sanitários ou industriais no mar ou em rios caudalosos, aproveitando-se a elevada capacidade de auto-depuração das águas que promovem a diluição, a dispersão e o decaimento de cargas poluentes a elas lançadas.

O projeto de emissários para o centro da cidade.

Marinho alerta, no entanto, que os emissários submarinos são considerados complementares nas integrações dos sistemas de tratamento e disposição de esgotos sanitários das cidades litorâneas.

A emissão de “dejetos líquidos” no ambiente foi regulamentada pelo Protocolo de Annapolis da mesma forma que a “emissão de gases” foi regulamentada pelo Protocolo de Quioto. “O seu funcionamento é extremamente simples e eficiente no tratamento dos esgotos. Mas, o lançamento deve ser precedido por algum tipo de tratamento convencional ou filtragem”, ressalta.

O projetista elenca a situação e propõe solução para o caso. A grande questão, diz Marinho, é por consequência dos efluentes líquidos contaminados e resíduos sólidos despejados na praia ou no rio Tapajós na frente da cidade de Santarém e também já na orla de Alter do Chão. Segundo ele, estes resíduos contendo sujeiras com matéria orgânica em decomposição, que adubam a areia, condicionando o aparecimento de vegetação aquática como bio-indicadores dos agravos nestes locais. E com isso, comprometendo a boa aparência desses logradouros, e afugentando os turistas estrangeiros.

O projeto de emissários para Alter do Chão

“Sabe-se que os turistas são orientados ainda dentro dos navios a não consumirem nada de alimentos produzidos e oferecidos por ambulantes próximos a esses logradouros suspeitos de contaminação”, argumenta e propõe a seguinte solução: Devem-se construir câmaras em concreto nos terminais dos bueiros de esgotos, onde seriam instalados os “filtros ecológicos” anexos ao talude externo do cais de arrimo, a partir desse ponto dar continuidade na destinação desses efluentes depois de filtrados, conectando-os num coletor de “emissários submarinos” feitos em tubulação sintética de grande calibre (≥ Ø 1,00m) adaptados com válvula de retenção para evitar o retorno da água do rio, onde parte desses dutos seria enterrada na própria areia da praia escavada com retro-escavadeira e reaterrada, e o restante com a extensão necessária para despejo do líquido já tratado ou filtrado, na corrente submersa do rio com uma distância segura da praia.

O desenho esquemático de funcionamento do emissário

Marinho continua, dizendo que esses dutos seriam presos em poitas de blocos de gravidade em concreto para mantê-los submersos ao nível do fundo do rio. Sua extremidade afogada teria um bocal em borracha achatado tipo “bico de pato”, que seria estanqueado pela própria pressão da água, para evitar o refluxo do rio para os bueiros da cidade, mas que permitiria a saída dos efluentes dos esgotos pela pressão do escoamento por gravidade.

Marinho diz finalmente que esse mesmo processo poderia ser aplicado também na orla de Alter do Chão que já apresenta o mesmo problema com o agravante do descarte de efluentes contaminados nas praias, muito utilizadas por banhistas da região e de fora que nos visitam.

 

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