Falta de investimentos coloca Cosanpa em iminente colapso operacional

A empresa responsável pelo abastecimento de água na cidade está no limite operacional e não tem o que fazer, a não ser que o Governo do Estado faça investimentos para resolver problemas pontuais. A população de Santarém corre o sério risco de ficar meses sem abastecimento de água, se nada for feito. O gerente regional da Cosanpa, Sérgio Campos, reconhece que a empresa chegou no limite e a população não aguenta mais. Para ele, o governador precisa ter consciência do que está acontecendo, onde precisa corrigir e onde melhorar.

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A falta d'água é a principal crítica dos vereadores à Cosanpa

SANTARÉM - Uma realidade unânime foi constatada por uma comissão de vereadores que visitou, esta semana as instalações da Cosanpa, no complexo do Irurá,  a total falta de investimentos na única empresa de abastecimento de água nesta cidade com uma população de mais de 300 mil habitantes.

Na ocasião, membros da comissão foram ainda informados sobre a real situação de funcionamento da empresa em Santarém e na região. Saíram de lá, apavorados, com a constatação da gravíssima situação da empresa.

Estavam na comissão de visita os vereadores Reginaldo Campos (PSC), Geovani Aguiar (PTN), Valdir Matias Júnior (PV), Maurício Corrêa (PTB), Júnior Tapajós (PR), Dayan Serique (PPS), Ivete Bastos (PT) e Erasmo Maia (DEM).

Para o vereador Valdir Matias Júnior (PV), de imediato se faz necessário, ações de melhorias no sistema de abastecimento d’água, onde o maior problema está na falta de recurso financeiro, para a manutenção do sistema.

Já o vereador Mauricio Corrêa (PTB) argumenta também em torno de uma comissão de vereadores que possa ir a Belém, exigir da direção da empresa, o respeito que seus usuários em Santarém merecem. Segundo ele, “há muito desperdício de recursos nos investimentos feitos nos últimos anos, além da burocracia e não se resolve nada”.  E acrescenta que o diretor regional da empresa, em Santarém, dispõe de apenas 7 mil reais para mês para gerir as ações, numa clara falta de investimentos, e centralização das decisões e do recurso financeiro, concentrado em Belém.

Quase todos os vereadores defendem que, com o dinheiro arrecadado em Santarém, a Cosanpa possa fazer um fundo de caixa, para investir nas demandas locais e fazer um atendimento ao sistema de abastecimento de água, inclusive com apoio da comunidade e dos seus consumidores. Todos também defendem a ida de uma comissão de vereador a Casa Civil do Governo do Estado, na busca de solução para o problema.

O vereador Junior Tapajós (PR)  defende recursos maiores, para manutenção imediata dos problemas menores que impedem o bom funcionamento da Cosanpa.  Dayan Serique (PPS) revelou que a Cosanpa arrecada cerca de R$ 1 milhão e o retorno é de R$ 7 mil por mês. Segundo Serique, se fosse repassado 15% desse valor, não iria resolver os problemas anacrônicos da empresa, mas daria para fazer a manutenção do sistema.

Geovani Aguiar (PTN), assegura que o escritório regional da Cosanpa, está entregue ao abandono. “Não tem retorno de Belém”. Na opinião da vereadora Ivete Bastos (PT), a Cosanpa em Santarém, “está entregue ao caos. O governo do estado não tem compromisso com Santarém e nem com a região, os recursos são insignificantes, para a ampliação do sistema”.

O vereador Reginaldo Campos pontuou outros problemas enfrentados pela direção local da Cosanpa, como o crescimento da população da cidade, enquanto a empresa ainda opera com o mesmo sistema de 12, 15 anos atrás. Criticou a falta de autonomia local para resolver pequenas intercorrências do dia-a-dia, pois depende de Belém e ainda do péssimo relacionamento da Cosanpa com a população, embora haja potencial muito grande para melhorar sua arrecadação.

Campos disse ainda que a Câmara de Santarém vai solicitar a cooperação dos deputados da região, como Júnior Hage, Júnior Ferrari, Airton Faleiro e Hilton Aguiar, para fazer coro junto à presidência da Cosanpa e o Governo do Estado para resolver a calamidade pública que se tornou o abastecimento de água em Santarém, apesar de todos os esforços que a direção local faz”. Segundo ele, é preciso uma ação emergencial para Santarém. “Se não houver uma ação rápida, o serviço de abastecimento de água na cidade poderá entrar em colapso e a cidade ficar meses sem água”, concluiu.

Narciso Sena, presidente do Sindicato dos Urbanitários, assegura que o abastecimento de água em Santarém, “é um caos, não houve execução nas obras de ampliação do sistema, a empresa está sucateada, tem material exposto na chuva se estragando, não tem investimento para o trabalho da gerencia”, assegura.

SOLUÇÕES O gerente regional da Cosanpa em Santarém, Sérgio Campos, agradeceu a visita dos vereadores, que segundo ele, acendeu a esperança de avançar na busca de soluções.

Ele disse que apesar dos grandes rios que cercam a cidade e o maior aquífero do mundo estar aqui, “parte dos moradores, da Borges Leal pra cima, estão numa situação de deserto, pois é uma área de precariedade. É um desabafo, mas é a verdade”, ressaltou.

Sérgio disse esperar que a visita dos vereadores possa resultar em soluções, “pois chegamos no limite e a população não aguenta mais. O governador precisa ter consciência do que está acontecendo, de onde precisa corrigir as coisas, onde melhorar. Porque a empresa tem condições de prestar serviço excelente para a população”, acrescentou.

Para Sérgio Campos, os milhões investidos ainda não chegaram até a população. “Nós estamos do lado da verdade”, finalizou.   (Com informações da Ascom da Câmara Municipal)

 

 

 

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