Enchentes chegam antes da hora?

Os grandes rios da Amazônia estão avisando que podem não estar para brincadeira na temporada das cheias que já chegaram e que vão até final de maio ou meado de junho. Portanto, há muita água para descer. A questão não é propriamente o comportamento antiquíssimo da natureza, mas o problema é o comportamento dos seres humanos que vão habitando as cidades da região, ocupando áreas que jamais deveriam servir de local para a construção de moradias.

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A forte correnteza pode ser sinal de que os rios estão em movimento incomum para esta época

Por Manuel Dutra

SANTARÉM - Os grandes rios da Amazônia estão avisando que podem não estar para brincadeira na temporada das cheias que já chegaram e que vão até final de maio ou meado de junho. Portanto, há muita água para descer.

No Pará, Tocantins e Xingu já desabrigam centenas de famílias. Mas para os municípios do Oeste do Estado, a fonte do aguaceiro é outra. Lá no alto, o nível do Rio Madeira, que corta Porto Velho, em Rondônia, continua subindo e já registra 18,73 metros. Na última grande enchente na região, em 1997, o rio atingiu 17,52 metros.

Segundo o tenente-coronel Denargli da Costa Farias, do Corpo de Bombeiros de Rondônia, ainda há previsão de chuvas fortes na Bolívia, o que influencia diretamente o nível do rio. A Defesa Civil já está preparada caso seja preciso remover mais famílias de suas casas.
Atualmente, 2.041 famílias atingidas pela cheia do Rio Madeira estão em 43 abrigos de Porto Velho e em outros distritos. Em São Carlos e Nazaré, todas as famílias precisaram deixar suas casas. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil enviou para Rondônia 500 barracas com capacidade para até dez pessoas, que serão instaladas na região do médio e baixo Madeira, segundo o coronel Farias.
No Oeste do Pará esse deve ser o sinal de alerta, pois é daquela região que as águas descem para o Solimões e o Rio Negro, que banha Manaus. O Rio Tapajós, que recebe águas tanto da região do Solimões/Madeira como dos rios do sudoeste do Pará e do Mato Grosso, diante da cidade de Santarém já está levemente acima do nível habitual para o início de março.
A suposição é que as águas subam tanto ou mais do que ocorreu em 2009, quando as primeiras ruas do comércio e das periferias a leste e a oeste da cidade ficaram alagadas.
A questão não é propriamente o comportamento antiquíssimo da natureza, mas o problema é o comportamento dos seres humanos que vão habitando as cidades da região, ocupando áreas que jamais deveriam servir de local para a construção de moradias.
A cidade de Santarém é um bom exemplo. Há cerca de 20 anos não se ouvia falar em desalojamento de famílias por efeito das enchentes. As partes mais baixas, no Mapiri e na outra ponta da malha urbana, não eram ocupadas por moradores. Hoje, muitas áreas baixas, que são o leito maior dos rios e igarapés, abrigam bairros inteiros.
Perigo de todos os anos: Como se trata de ano eleitoral, não vai demorar que caravanas de cabos eleitorais e de candidatos saiam por esses bairros e pelas vilas das várzeas distribuindo cestas básicas aos “flagelados”. Nunca apresentam um projeto sério para a solução destes problemas, ao contrário, parecem esperar sempre as cheias para “ajudar” essas famílias.
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