Manuel Dutra
Premissa básica: quando o poder “público” entrega uma carteira nacional de habilitação a um motorista, ele está reconhecendo que aquele indivíduo está apto a dirigir um veículo, portanto está educado. Estudou o Código Nacional de Trânsito, fez prova escrita, fez teste de direção, etc.
Questão: Então, por qual razão com frequência vemos “autoridades” e seus porta-vozes na mídia defendendo uma “ampla campanha” de educação para o trânsito e coisas como “é preciso sensibilizar” os motoristas a respeitar o pedestre, etc.
Constatação óbvia: Se o mesmo poder “público” que emite a carteira de motorista defende que esse motorista seja, depois, educado para o trânsito, é o reconhecimento de que uma carteira de habilitação pouco ou nada significa em termnos de conhecimento e educação específica.
Desdobramentos: Aí entram as célebres “auto-escolas” em concluio com funcionários dos Departamentos de Trânsito do país afora. O que ocorre nessa relação, todos sabemos, até porque tanto muitas “auto-escolas” como Detrans são objeto de frequentes suspeitas e denúncias de propinas e formas diversas de corrupção, como se verificou recentemente em Belém.
A impressão que circula pela sociedade é que a prática da corrupção é sistêmica e poucos, muito poucos se aventuram a tocar no assunto, pelo vasto envolvimento de agentes públicos no sistema.
Hipótese: Portanto, quando uma “autoridade” vai à mídia sugerir uma “ampla campanha de educação e sensibilização para o trânsito”, na verdade esse agente está procurando transferir para o motorista a culpa única na anarquia que se verifica nas ruas e rodovias. Não se vê “autoridade” defendendo mudanças na legislação ou, ao menos, o fiel cumprimento da legislação em vigor para punir motoristas criminosos. Vão para a cadeia, quando vão, e logo depois um juiz manda soltar.
Conclusão: Educação para o trânsito se faz com cadeia para motoristas criminosos e para agentes corruptos. Chega de estarem fazendo blá-blá-bla sobre educação de motoristas, o que a sociedade espera é que “autoridades” e seus agentes cumpram a lei.
Ao que se saiba, a verdadeira educação para o trânsito se faz com as crianças na escola fundamental, a fim de ensinar-lhes como se defender nas ruas da ação de motoristas criminosos e agentes corruptos. O resto é conversa mole.





